Patrícia Cardoso sempre quis ter um negócio. E foi maturando o plano ao longo da vida. “Tenho 500 mil ideias. Esta foi só a primeira que pus em ação”, revela a proprietária da Saga Cookies, a cafetaria e loja de bolachas recém-aberta em Braga, numa praceta luminosa no centro da cidade. “Cresci em Braga a achar que tinha um potencial enorme, mas que faltavam coisas diferentes. Isto das cookies já tinha visto numa série de sítios, em viagens. Não foi agora de repente que aconteceu. Já tinha esta ideia há muito tempo.”
Nunca foi muito de doces, confessa, mas quando vivia em Londres deu por si a comer regularmente cookies, e mais tarde a gravidez voltou a trazer ao de cima esse lado mais doceiro, o que a motivou a fazer bolachas em casa. “No início deste ano decidi que estava na altura, comecei a testar receitas, a ler, a estudar, para perceber o que envolvia a produção. E, por acaso, descobri aquele sítio. Sempre gostei muito daquela pracinha e foi quase inevitável. Já tinha tudo pronto, o plano de negócio, as ideias todas montadas.”
Com a equipa de pasteleiras, Patrícia desenvolveu os sabores que hoje preenchem a montra, quase uma dezena de variedades. As cookies com recheio de brownie, red velvet (com chocolate branco e queijo creme) e de Nutella alcançaram o pódio de vendas, mas a intenção é ir lançando novidades regularmente. “Já temos uma lista de outras coisas que queremos experimentar”, partilha.
Dezembro trouxe dois sabores novos: canela, a evocar os aromas natalícios; e banoffee, uma cookie de banana, caramelo e chocolate,
criada a propósito do Bananeiro, uma tradição bracarense que consiste em sair à rua a 24 de dezembro, ao final da tarde, para comer uma banana e beber um cálice de moscatel, num momento de convívio. Para janeiro está prometida ua cookie de pistacho.
Mas como nem sempre o que apetece são bolachas, na montra da Saga cabe ainda uma secção dedicada ao cheesecake basco e ao tiramisu. “As minhas sobremesas preferidas”, revela Patrícia. Rolos de canela, salame de cookies e uma seleção de sandes feitas com focaccia caseira rematam a oferta, e podem ser conjugadas a qualquer hora do dia com uma bebida de café, ou com um chai latte.
O nome que Patrícia Cardoso escolheu para o projeto reflete essa vontade de explorar vários caminhos e não se prender apenas às bolachas. “Há muitos anos que tenho um caderno com palavras que gosto e que não gosto. Esta estava na lista e achei que faria todo o sentido, porque abrir isto foi uma saga, e também consegue ser mais versátil para fazer outras coisas que eu queira além das cookies.”
O slogan “cookies, coffee and culture”, também evoca outra faceta do espaço, que além de ser um lugar para ir comer bolachas e outros doces, pretende ser um ponto de encontro para a comunidade, acolhendo regularmente workshops (dia 27 de dezembro acontece uma oficina de pintura de cerâmica) e colaborações com artistas que ali queiram expor o seu trabalho. O objetivo é “criar sinergias que tornem o espaço ainda mais agradável. Pelo menos é isso que eu pretendo”, garante a proprietária.